(In)finito
- Danilo Magalhães
- 13 de jun. de 2024
- 2 min de leitura
15/05/2024
Danilo Magalhães
Passou uma semana ruim e, pela primeira vez, escreveu algo que não queria que alguém lesse. Não queria contaminar ninguém com sua insensibilidade, sua perspectiva turva pelo cansaço, sua falta de fé em deus.
Os últimos dias foram rondados pela morte. Às vezes mais próxima, outras, mais distante e, por isso, pensava com frequência maior que a habitual na finitude. “Tudo acaba...”. E também pensava, isso era novidade, no devir.
Andava reflexivo, mas, sua filosofia somente lhe permitia elaborações em torno do que era pior: confirmar que após a morte não havia nada além de um vazio escuro do qual não se tem consciência, ou, saber que existiria algo posterior, mas, que não se saberia nada sobre? E se permitiu outras dúvidas. O que causaria mais medo: estar só na vastidão do universo, ou, encontrar, como sugerem certas teorias, outro ser exatamente igual a si? O que lhe faria buscar remissão de seus pecados?
Eram apenas reflexões. Nada que devesse bulir profundamente com sua natureza triste, ou, que fizessem cerrar os olhos castanhos espremendo as glândulas que terminam o sistema lacrimal até lavar seu rosto, ou, pior, que lhe fizesse querer descobrir as respostas definitivamente.
Mas, ainda assim... “Responde! Pensa! Você não gosta de pensar?” Afinal, se aprende naquele documentário nas aulas de geografia que temos telencéfalo altamente desenvolvido. “O que te humaniza é pensar. E, de repente, o cheiro”.
E, contraditoriamente esperançoso, percebeu que não precisava partir da perspectiva do pior, nem da finitude, nem da morte. Não negou nada disso, entretanto, concluiu que o exercício filosófico não superava a realidade. E a realidade era estar vivo, são.
Se deu conta de que a vida se bastava, era sua resposta. E sentiu beleza na experiência. E sentiu que era inteligente pela conclusão. E sorriu ao pagar mais um boleto.
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